Diálogo
Como alcançar uma pessoa que se recusa a ouvir? Paulo Freire nos dá uma pista quando fala sobre o papel do educador: não podemos alcançar ninguém nos colocando como educadores "bancários" e tratando os outros como educandos "correntistas".
O diálogo deve se fundamentar sobre uma problematização construída de forma conjunta, sobre o que é cognoscível para ambos: em um diálogo libertador, sempre os dois lados aprendem juntos. Perdemos a capacidade de dialogar politicamente; precisamos reaprender esta arte.
"Ninguém educa ninguém. Ninguém educa a si mesmo. Os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo" (Freire).
Se não assumirmos que há algo a aprender com a realidade do outro, nunca alcançaremos o diálogo libertador. Freire usa essa metáfora do banco para explicar a lógica da educação em um mundo desigual, de opressores e oprimidos, em que os primeiros usam a educação para condicionar os últimos, ajustando-os ao mundo como ele é. Em sua concepção de educação libertadora, ambos — opressores e oprimidos — precisam de emancipação dessa estrutura contraditória.
Penso que esse é um princípio que se extrapola para todas as relações humanas, pois sempre há um abismo, sempre há um desnível que impede o diálogo e que precisa ser superado. Nós só conseguimos construir relações equânimes quando entendemos que o diálogo só é possível a partir de um fundamento compartilhado e que ambos os interlocutores precisam construir esse ponto de partida sobre o que ambos podem apreender da realidade. O nome disso é empatia.
Então retorno à questão inicial: Como alcançar uma pessoa que se recusa a ouvir? A resposta é: escutando primeiro.