Lírios
O lírio, o orvalho e a luz — insidiosa, refratária, incólume, serôdia fonte, advinda do astro-rei, que rege nosso céu e comanda nossa atmosfera como um general impávido. Perfume, umidade e calor. E o arco-íris como um manifesto de beleza, uma orgia de luz e água, que reclamam a primazia do que é significativo e inútil. Belo e gratuito. E testemunham do suor da terra sua beleza aprisionada.
Olhai os lírios do campo — ou são os fótons dissidentes que o lírio refutou, que alcançam e se intrometem em minha íris?Mesmo que seja assim, ainda sua beleza e nobreza patenteiam-se em tangente suavidade e frescor, como uma taça vazia, que espera pelo sangue da vide.
Bêbado nesta taça indecente, o lírio e o sangue. A pureza e o pecado. A testemunha e o algoz.